
Todo barbeiro sabe vender um corte. Poucos sabem vender um produto — e é aí que fica, parada na prateleira, uma das fontes de renda extra mais fáceis de destravar no negócio. Pomada, óleo de barba, shampoo: produtos que já estão na sua barbearia, que o cliente já usa na cadeira e que, com a indicação certa, ele leva pra casa e paga de novo daqui a um mês. O problema raramente é falta de produto — é preço malfeito. Muita barbearia compra o item, coloca uma margem no chute, vende por pouco mais do que pagou e ainda tenta competir com o preço de marketplace. O resultado é um estoque que gira devagar e uma renda extra que nunca aparece no caixa. Neste guia você vai aprender a precificar produto de revenda com uma fórmula simples, entender quanto isso pode somar ao seu faturamento e descobrir como apresentar o produto na cadeira sem parecer vendedor chato.
Por que produto de revenda é a renda extra mais fácil de destravar
A maior parte do faturamento de uma barbearia vem do corte e da barba — e é assim que deve ser. Mas existe uma segunda fonte de receita que já está dentro do salão, sentada na cadeira, na frente do barbeiro: o produto que o cliente usa no atendimento e poderia levar pra casa. Pomada que segura o penteado até o fim do dia, óleo que evita a barba ressecada, shampoo que prolonga a cor — tudo isso o cliente já experimentou. Vender pra ele não exige atrair ninguém novo, nem gastar em marketing: exige só perguntar na hora certa.
É por isso que produto de revenda costuma ter a margem mais alta e o custo de venda mais baixo de todo o negócio. Comparado a atrair um cliente novo — que envolve anúncio, indicação, tempo de conversa —, vender um produto para quem já está na cadeira custa, na prática, o tempo de uma frase. E diferente do corte, que ocupa a agenda e tem limite físico de quantos atendimentos cabem no dia, o produto pode ser vendido em qualquer horário, inclusive nos dias mais parados do mês.
O erro de precificação que mata a margem
O erro mais comum não é vender pouco — é precificar errado. Muita barbearia compra o produto do distribuidor, olha o preço que a loja de departamento ou o marketplace cobra e define um valor 'parecido, mas um pouco menor', achando que assim compete melhor. O problema é que essa conta não olha para o seu custo real: frete, perda por produto vencido ou danificado, capital parado no estoque e o tempo do barbeiro dedicado à indicação. Um markup baixo demais transforma um produto que deveria ser lucro quase puro em um item que mal paga o próprio espaço na prateleira.
A fórmula que funciona: do custo ao preço de prateleira
Esqueça o chute. A conta de precificação de produto segue uma lógica simples: parta do custo real de compra, aplique um markup mínimo que cubra estoque parado e perdas, e ajuste para cima conforme o valor percebido do produto — marca, exclusividade, indicação do profissional. O resultado final precisa deixar uma margem que valha o esforço de manter o item na prateleira e de dedicar um minuto do atendimento a ele.
O raciocínio do markup
Nem todo produto pede o mesmo markup. Itens de giro rápido e baixo valor unitário — como um sabonete ou um pente — funcionam com markup mais enxuto, porque vendem em volume. Já produtos de nicho, com apelo de marca ou indicação forte do barbeiro — como um óleo de barba premium —, suportam um markup bem mais alto, porque a decisão de compra é guiada pela confiança no profissional, não pela comparação de preço entre três lojas.
O markup mínimo cobre estoque parado e perdas; o ajuste de percepção é o que a marca e a sua indicação agregam por cima disso.
Quanto isso pode representar no seu caixa
Para colocar em números, veja o potencial de uma prateleira bem precificada e bem indicada:
Repare no último dado: diferente de qualquer outra fonte de receita da barbearia, vender produto pro cliente que já está na cadeira tem custo de aquisição zero. Você não precisa gastar um real em marketing para ele comprar — só precisa perguntar na hora certa.
A margem, no entanto, varia bastante por categoria de produto. Veja o comparativo entre os itens mais comuns de uma prateleira de barbearia:
Fonte: Exemplo ilustrativo — preços de referência para barbearia de porte médio
Produtos de finalização com apelo de marca — como cera modeladora e kits de presente — costumam sustentar a margem mais alta por unidade. É neles que vale investir mais atenção na apresentação da prateleira e na indicação durante o atendimento.
Juntando custo, preço sugerido e markup, uma referência de precificação para os itens mais comuns fica assim:
| Categoria | Custo médio | Preço sugerido | Markup | Margem por unidade |
|---|---|---|---|---|
| Pomada modeladora | R$ 18 | R$ 35 | ~94% | R$ 17 |
| Óleo de barba | R$ 15 | R$ 30 | 100% | R$ 15 |
| Shampoo/condicionador | R$ 22 | R$ 40 | ~82% | R$ 18 |
| Cera/pó modelador | R$ 16 | R$ 36 | ~125% | R$ 20 |
| Kit presente (2 a 3 itens) | R$ 45 | R$ 80 | ~78% | R$ 35 |
“Serviço traz o cliente até a cadeira. Produto é o que ele leva pra casa — e paga de novo no mês que vem.”— Ditado comum no balcão de barbearia
Como apresentar o produto sem parecer forçado
Preço certo não vende sozinho — precisa de indicação genuína. O cliente sente diferença entre ser 'empurrado' um produto e receber uma recomendação de quem entende do assunto. Algumas práticas mudam esse jogo:
- Indique durante o atendimento, não no caixa. O melhor momento é quando o barbeiro está aplicando o produto e pode mostrar o efeito na hora.
- Explique o porquê, não só o produto. 'Esse óleo evita a barba ressecada que você reclamou' vende mais do que 'temos óleo de barba aqui'.
- Deixe testar. Um pote de amostra na bancada reduz a barreira de decisão — o cliente sente antes de comprar.
- Padronize a indicação entre a equipe. Se só um barbeiro vende, a receita de produto depende de uma única pessoa. Treine todos a indicar.
- Não empurre em todo atendimento. Indicar o produto certo pro problema certo do cliente gera confiança; empurrar qualquer coisa pra todo mundo gera desconfiança.
Passo a passo para precificar um produto novo
Toda vez que decidir incluir um item novo na prateleira, siga esse roteiro antes de definir o preço:
- 1Levante o custo real. Preço do fornecedor mais frete e, se aplicável, imposto — não só o valor que aparece na nota.
- 2Classifique o produto. Giro rápido e baixo valor, ou nicho com apelo de marca? Isso define a faixa de markup a aplicar.
- 3Aplique o markup mínimo da categoria. Use a tabela de referência como ponto de partida e ajuste ao seu fornecedor e região.
- 4Compare com o que o cliente já paga pelo serviço. Um produto muito mais caro do que o corte costuma travar a decisão de compra.
- 5Teste o preço com poucos clientes antes de padronizar. Observe se a objeção é sobre preço ou sobre falta de indicação — são problemas diferentes.
- 6Revise a cada poucos meses. Custo de fornecedor muda; seu preço de prateleira precisa acompanhar para a margem não encolher em silêncio.
Os números que você deve acompanhar
Padronizar a indicação de produto não gera resultado da noite pro dia — é um hábito que a equipe constrói aos poucos. Uma barbearia que passa a indicar produto em todo atendimento, com a equipe toda treinada, costuma ver uma curva de crescimento parecida com esta ao longo dos primeiros meses:
Fonte: Exemplo ilustrativo — barbearia que passou a indicar produto em todo atendimento
A curva sobe rápido enquanto a equipe aprende a indicar com naturalidade e desacelera quando atinge o público que já tem hábito de usar produto em casa. Esse platô não é estagnação — é o tamanho real da demanda dentro da sua base de clientes atual. Para crescer além dele, é preciso ampliar o catálogo ou crescer a base de clientes.
Produto de revenda é receita que já está na cadeira
No fim, precificar produto de revenda bem não é sobre encontrar o preço mágico — é sobre entender seu custo real, aplicar um markup que sustente o negócio e treinar a equipe pra indicar com naturalidade. O produto certo, no momento certo do atendimento, vira uma segunda fonte de receita que não compete pela sua agenda nem exige gastar em marketing. Ferramentas como o Kortar ajudam a acompanhar esse número junto com o resto da operação — controle de estoque, comissão sobre produto vendido e relatório de faturamento — pra você enxergar com clareza quanto essa prateleira está realmente rendendo.
Comece pequeno: escolha três ou quatro produtos que combinam com o seu atendimento, precifique com a fórmula certa e treine a equipe a indicar com genuinidade. O resto — receita extra, ticket médio maior, cliente mais fiel — vem como consequência.
Perguntas frequentes
Qual markup eu devo usar para começar?
Uma faixa saudável costuma ficar entre 60% e 120% sobre o custo, dependendo da categoria: itens de giro rápido e baixo valor unitário pedem markup mais enxuto, enquanto produtos de nicho com forte indicação do barbeiro suportam markup mais alto. Comece pela tabela de referência e ajuste conforme o comportamento dos seus clientes.
Vale a pena dar comissão pro barbeiro sobre produto vendido?
Sim, geralmente vale. Uma comissão sobre a venda de produto alinha o interesse do profissional com o seu — ele passa a indicar porque também ganha com isso, não só por boa vontade. O importante é calcular a comissão sobre a margem, não sobre o preço de venda, para o incentivo não corroer o lucro do item.
Preciso ter uma loja física de produtos ou só apresentar na cadeira já basta?
Não precisa de estrutura de loja. Uma pequena prateleira visível perto da recepção ou do espelho, com poucos itens bem escolhidos, já é suficiente. O que realmente vende é a indicação durante o atendimento — a prateleira só reforça a decisão que o cliente já tomou na cadeira.
Fontes e referências
- 1.Como precificar produtos e serviços: guia para pequenos negócios — Sebrae
- 2.Gestão de estoque para pequenos negócios de varejo e serviços — Sebrae
- 3.Controle de estoque na barbearia: como não perder dinheiro parado na prateleira — Blog Kortar
- 4.Margem de lucro na barbearia: como calcular o que sobra de verdade — Blog Kortar
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